sábado, 13 de setembro de 2014

O EXEMPLO DE DÉBORA SEABRA


A potiguar Débora Seabra, de 33 anos, não poderia ter escolhido outra profissão, senão professora. 

Em sua apresentação no encontro internacional Educação 360, ela deu uma lição de superação e emocionou a plateia com sua história de vida: Débora é a primeira professora com Síndrome de Down no país e dá aulas na Escola Doméstica em Natal (RN) a 28 alunos da alfabetização. Ela é do time que luta pela Inclusão com i maiúsculo, como gosta de repetir.

A jovem destaca o suporte que encontra na família e defende a escola regular para todos os alunos, sem distinção. 

Ela enfrentou dificuldades, sim, mas conta que cresceu fazendo tudo o que qualquer pessoa da idade dela fez e faz, como aulas de balé, curso de teatro, "boas festas americanas em casa" e trabalhos em lojas, como modelo e recepcionista de eventos e seminários.

- A inclusão começa na família e a minha sempre foi meu porto seguro. Sempre estudei em escolas regulares porque o contrário é discriminatório. Inclusão ensina a conviver - disse ela.

Débora concluiu o curso de magistério em 2004, na Escola Estadual Professor Luiz Antônio, em Natal. Fez estágio e trabalhou voluntariamente como professora auxiliar na Escola Doméstica, por dez anos, em função de uma lei estadual que a impedia de receber o benefício da pensão da mãe, funcionária aposentada do Ministério Público, caso tivesse a carteira assinada. Depois de muita luta, esta foi mais uma das suas vitórias e a carteira assinada pela Escola Doméstica, onde também estudou, chega essa semana.

- Precisava de dinheiro para sair com os amigos, né?! - disse Débora, arrancando risadas das pessoas que acompanhavam sua palestra com muito carinho.

A história de vida de Débora se reflete nas páginas do livro "Débora conta histórias", com oito fábulas inclusivas, apenas uma personagem humana e animais considerados "diferentes" - um sapo que não sabe nadar, uma galinha surda e um pato gay, por exemplo. A ideia surgiu em 2010, como presente de Natal para os pais e o irmão. 

O lançamento do livro aconteceu em Recife, no Congresso Internacional de Tecnologia da Educação. Ela agora quer se dedicar a um livro sobre o que viveu. Já começou a escrevê-lo com calma, entre um jogo e outro do ABC de Natal, que sempre acompanha com o irmão. Os domingos, segundo ela, são dos amigos: 

- Gosto de sair, de passear com minhas amigas, de malhar e dançar. Essa é minha rotina: trabalho muito durante a semana e fim de semana, depois de curtir minha família, me divirto com os amigos. 

Na escola, como professora auxiliar, participa de todas as atividades, desde o planejamento semanal de aulas, contação de histórias, eventos culturais e artísticos, organização dos arquivos e materiais e brincadeiras com a turminha. 

É Débora quem também conversa com os pais dos alunos e conta com orgulho que conhece todos eles. Às sextas, vira e mexe precisa intervir numa briga ou outra entre os alunos, que neste dia podem levar para a escola um brinquedo de casa: 

- A gente senta numa roda e conversa com eles. Fala sobre o respeito. 

Era quando faltava respeito, que Débora mais sofria. Ainda na escola, foi alvo de bullying e humilhação. Lembra de colegas que abusavam e pediam seu celular emprestado para gastar por conta. Lembra também daqueles que não a queriam nos grupos de trabalho e de disciplinas em que tinha alguma dificuldade maior. Débora lembra bem de uma garota que tirou o sapato e a fez cheirar. Neste dia, ela decidiu que seguiria em frente: 

- Pensei 'não vou desistir, não vou desistir' e gritei com ela. Chamei uma amiga e perguntei o que fazia e ela gritou junto comigo. 

Na plateia, a mãe de uma criança com Síndrome de Down se manifestou, querendo saber o que foi mais difícil. Uma professora que este ano recebeu na escola um aluno portador da mesma síndrome disse que a cada dia todos aprendem com o menino e quis saber sobre o relacionamento dela com as crianças. Outra educadora perguntou como os professores podem ajudar mais nessa inclusão e um rapaz a questionou sobre planos para o futuro. A cada resposta de Débora, era impossível conter a emoção: 

- Ninguém pode passar pelo que eu passei, por humilhação, discriminação e exploração. Tenho dois alunos que são gêmeos e a gente trata eles igual. Meu irmão e eu somos diferentes, mas meus pais tratam a gente igual também. Não tenho uma doença, é só um jeito diferente de ser. Especial para mim é minha família. A diversidade abre caminhos para todos. Superar dificuldade nos fortalece e traz felicidade.

Um comentário:

  1. Linda a história de superação da Débora. Parabéns por compartilhar aqui.
    Que ela siga em frente e cada vez alcance mais sucesso. Bjs

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